sábado, 10 de março de 2018



ÍNDICE DOS ARTIGOS PUBLICADOS NESTE BLOGUE
ATÉ 10 DE MARÇO DE 2018

            Passagem da Linha, (Blogue – Passagemdalinha.blogspot.pt)

1.       “Passagem da Linha”, 23 de Outubro de 2011.
2.       “A guerra para acabar com todas as guerras”, 23 de Outubro de 2011.
3.       “O Referendo”, 3 de Novembro de 2011.
4.       “O famoso referendo grego”, 19 de Novembro de 2011.
5.       “Humor Lusitano”, 9 de Janeiro de 2012.
6.       “Os direitos dos animais”, 5 de Agosto de 2014.
7.        “Regresso à cinzenta realidade”, 5 de Setembro de 2014.
8.       “O século XXI”, 28 de Agosto de 2014.
9.       “Voltaire e a Tolerância”, 4 de Setembro de 2014.
10.   “O Banco Bom e o Banco Mau”, 11 de Setembro de 2014.
11.   “Primárias”, 28 de Setembro de 2014.
12.   Descrédito e descaramento”, 2 de Outubro de 2014.
13.   “Lições da História”, 19 de Outubro de 2014.
14.   “O Património do nosso Descontentamento”, 26 de Outubro de 2014.
15.   “A Festa de Finalistas”, 19 de Novembro de 2014.
16.   “Restauração”, 30 de Novembro de 2014.
17.   “A paciência dos pacientes”, 7 de Dezembro de 2014.
18.   “Charlie somos todos nós”, 17 de Janeiro de 2015.
19.   “Sobreviver no Inverno”, 29 de Janeiro de 2015.
20.   “Cobardia”, 15 de Fevereiro de 2015.
21.   A Choldra”, 16 de Março d de 2015.
22.   “Mariano Gago e a Ciência em Portugal”, 26 de Abril de 2015.
23.   “O meu 25 de Abril – Uma semana prodigiosa”, 1 de Maio de 2015.
24.   “Palmira, património mundial em perigo”, 7 de Junho de 2015.
25.   “Sinais dos Céus”, 18 de Setembro de 2015.
26.   “Mitos urbanos”, 27 de Junho de 2015.
27.   “O que nós devemos à Grécia”, 30 de Julho de 2015.
28.   “Palmira e a Civilização”, 25 de Agosto de 2015.
29.   “Os Refugiados, a Esquerda e as Eleições Legislativas”, 13 de Setembro de 2015.
30.   “A obsessão de Passos Coelho”, 19 de Setembro de 2015.
31.   “O mistério das sondagens”, 26 de Setembro de 2015.
32.   “Um cofre cheio de mentiras”, 1 de Outubro de 2015.
33.   “O que faremos a estes votos?”, 8 de Outubro de 2014.
34.   “Humildade”, 15 de Outubro de 2015.
35.   “Se isto é um Presidente”, 1 de nOvembro de 2015.
36.   “Terror absoluto”, 16 de Novembro de 2015.
37.   “Um mundo para salvar”, 20 de Dezembro de 2015.
38.   “Remake hard core de ‘Os Pássaros’ de Hitchcock”, 23 de Junho de 2016.
39.   “A última oportunidade da Europa”, 7 de Julho de 2016.
40.   “Jogos Olímpicos na ‘Cidade Maravilhosa’”, 6 de Agosto de 2016.
41.    “E se Trump vence?”, 22 de Setembro de 2016.
42.   “O ego de Sócrates”, 29 de Setembro de 2015.
43.   “Do desconcerto do mundo”, 3 de Novembro de 2016.
44.   “Um branco bronco na Casa Branca”, 17 de Novembro de 2016.
45.   “O Dilúvio de 1967”, 25 de Novembro de 2016.
46.   Humboldt, precursor do ambientalismo”, 1 de Dezembro de 2016.
47.   “Ser Professor”, 7 de Dezembro de 2016.
48.   “História e Verdade”, 21 de Dezembro de 2016.
49.   “A Odisseia: onde nascem os contos, 22 de Dezembro de 2016.
50.   “Corfu, a ilha dos Feaces”, 30 de Dezembro de 2016.
51.   “Arte e Cultura Geral”, 31 de Dezembro de 2016.
52.   “Seis horas em Atenas”, 7 de Janeiro de 2017.
53.   “Retábulos e portais barrocos transmontanos”, 7 de Janeiro de 2017.
54.   “Mário Soares o combatente sem medo da Liberdade”, 8 de Janweiro de 2017.
55.   “Olhar, ver e sentir: a génese do gosto artístico”, 12 de Janeiro de 2017.
56.   “O Manuelino, arte do Tardo-Gótico português”, 22 de Janeiro de 2017.
57.   “Associação de malfeitores”, 24 de Janeiro de 2017.
58.   “Gravuras animadas do Paleolítico em Foz Côa”, 25 de Janeiro de 2017.
59.   “À beira do abismo”, 27 de Janeiro de 2017.
60.   “Camões e o seu Tempo”, 30 de Janeiro de 2017.
61.   “Identidade nacional e globalização”, 2 de Fevereiro de 2017.
62.   “As Capelas de Ossos em Portugal”, 6 de Fevereiro de 2017.
63.   “Iconografia do Índio Brasileiro na arte quinhentista portugue”A Mulher na Arte”, 9 de Fevereiro de 2017.
64.   “Montesinho, Trás-os-Montes”, 12 de Fevereiro de 2017.
65.   “A Mulher na Arte I”, 16 de Fevereiro de 2017.
66.   “Do carpe diem à vanitas”, 22 de Fevereiro de 2017.
67.   “A Mulher na Arte II”, 25 de Fevereiro de 2017.
68.   “Perspectiva e ‘Trompe l’Oeil’ ”, 28 de Fevereiro de 2017.
69.   “Mulher”, 8 de Março de 2017.
70.   “A Cidade das Flores - I”, 9 de Março de 2017.
71.   “Os dois ‘Cristos Ressuscitados’ de Miguel Ângelo”, 14 de Março de 2017.
72.   “A Cidade das Flores - II”, 16 de Março de 2017.
73.   “O ‘antigamente’ da nossa vida colectiva”, 19 de Março de 2017.
74.   “A Cidade das Flores- III”, 23 de Março de 2017.
75.   “Pigmalião e Galateia, um mito intemporal”, 27 de Março de 2017.
76.   “A Cidade das Flores – IV, 6 de Abril de 2017.
77.   “Marginalia integrada em edifícios religiosos portugueses”, 10 de Abril de 2017.
78.   “O Plátano de Cós”, 11 de Abril de 2017.
79.   “Coimbra, 17 de Abril de 1969 – A caminho da Revolução” (Actualização de artigo publicado no Cidade de Tomar de 17-4-1998)
80.   “O Farol-Torre da Corunha”, 26 de Abril de 2017.
81.   “A Toscana”, 27 de Abril de 2017.
82.   “Historial do Primeiro 1º de Maio”, 1 de Maio de 2017.
83.   “Borboletário tropical no Parque Ambiental de Santa Margarida”, 6 de Maio de 2017
84.   “Apontamento sobre a arquitectura templária”, 9 de Maio de 2017.
85.   “Esclavagismo e racismo no Portugal das Descobertas”, 11 de Maio de 2017.
86.   “Vamos proteger as nossas árvores!!!”, 12 de Maio de 2017.
87.   “Vitória de Portugal sem ser no futebol!!! Ou O triunfo da simplicidade”, 13 de Maio de 2017.
88.   “Pequeno apontamento sobre a história da porcelana europeia”, 14 de Maio de 2017.
89.   “Tomar e o Cerco de 1190 ou Como se conta a História”, 14 de Maio de 2017.
90.   “Assassinos diplomados da Língua Portuguesa, 17 de Maio de 2017.
91.   “Habemus Papam”, 18 de Maio de 2017.
92.   “Finisterra”, 28 de Maio de 2017.
93.   “António Barreto a caminho da ribalta pelos piores motivos”, 31 de Maio de 2017.
94.   “Dia Mundial da Criança, 1974”, 1 de Junho de 2017.
95.   “O Convento de Cristo alvo de vandalismo devido a filmagens”, 3 de Junho de 2017.
96.   “Êxtase de Santa Teresa de Ávila, de Bernini”, 3 de Junho de 2017.
97.   “Património da Humanidade em perigo”, 8 de Junho de 2017.
98.   “O desgosto de Marine Le Pen”, 15 de Junho de 2017.
99.   “Os incêndios, última ‘janela de oportunidade’ da direita: intriga, boato e
               calúnia, a única linguagem que conhece”, 20 de Junho de 2017”
100.           “Fontes de Roma”, 24 de Junho de 2017.
101.           “Igrejas Rupestres do Vale do Ebro”, 26 de Junho de 2017.
102.           “Independentemente das culpas de alguns responsáveis que devem
                               ser inquiridos e culpabilizados”, 2 de Julho de 2017.
103.           “O Templo Ecuménico da Serra da Lousã”, 9 de Julho de 2017.
104.           “228 Anos da Tomada da Bastilha”, 14 de Julho de 2017.
105.           “Tomar: o espaço e o tempo - Da Romanização à Idade Média”, 22 de
       Julho de 2017.
106.           “Tomar: o espaço e o tempo – Destruição do Património Edificado”, 29
               de Julho de 2017.
107.           “Um campo de extermínio nazi em França”, 30 de Julho de 2017.
108.           “Os media de referência, os eucaliptos e a chicana política”, 4 de
               Agosto de 2017.
109.           “Monstros em Veneza ou A Galinha dos Ovos de Ouro”, 10 de Agosto
               de 2017.
110.           “A Torre-Mirante de Santa Cruz, um ar da Toscana na região Oeste de
               Portugal”, 10 de Agosto de 2017.
111.           “A Torre-Mirante de Santa Cruz, um ar da Toscana na região Oeste de
               Portugal –  Adenda”, 11 de Agosto de 2017.
112.           “O terrorismo incendiário”, 14 de Agosto de 2017.
113.           “Batalha de Aljubarrota”, 14 de Agosto de 2017.
114.           “Manuscrito, uma página autobiográfica”, 15 de Agosto de 2017.
115.           “Traquinices apocalípticas”, 19 de Agosto de 2017.
116.           “Vigo e as Rias Baixas”, 24 de Agosto de 2017.
117.           “Por quem os Sinos Dobram”, 24 de Agosto de 2017.
118.            “Os ratos estão a sair das sarjetas”, 31 de Agosto de 2017.
119.           “A ‘Universidade’ dos despeitados e dos candidatos aos belos tachos”, 7 de
       Setembro de 2017.
120.           “Fabulário 1 – A Invenção da Lira”, 13 de Setembro de 2017.
121.           “Duas greves muito pouco exemplares”, 15 de Setembro de 2017.
122.           “Portugal e o Mundo nas Vésperas das Autárquicas”, 24 de Setembro de
               2017.
123.           “Portugal e a Catalunha, de 1640 a 2017”, 28 de Setembro de 2017.
124.           “Rajoy, o novo ‘Caudillo’ da Espanha”, 5 de Outubro de 2017.
125.           “Uma igreja românica no Alto Minho: Bravães”, 8 de Outubro de 2017.
126.           “Assunção e água benta cada um toma a que quer”, 12 de Outubro de 2017.
127.           “Belas-Artes e Artes Aplicadas, a falsa hierarquia do gosto”, 19 de Outubro de    
               2017.
128.           “Arte e utilidade”, 2 de Novembro de 2017.
129.           “Arte e poder”, 9 de Novembro de 2017.
130.           “Arte e Propaganda da Antiguidade ao século XIX”, 16 de Novembro de 2017.
131.           “A propósito de Darwin e da Evolução: a estratégia da aranha”, 17 de
               Novembro de 2017.
132.           “Castelos templários do concelho de Idanha-a-Nova”, 20 de Novembro
       de 2017.
133.           “Arte e Propaganda nos séculos XX e XXI”, 23 de Novembro de 2017.
134.           “Dia da Restauração, agora também restaurado”, 1 de Dezembro de     
                               2017.
135.           “Arte e Religião”, 7 de Dezembro de 2017.
136.           “A Arte e os seus mecenas”, 15 de Dezembro de 2017.
137.           “A Mulher na Arte e a Arte da Mulher”, 29 de Dezembro de 2017.
138.           “No princípio de um novo ano parece apropriado invocar Janus.
139.           “Arte e Literatura”, 11 de Janeiro de 2018.
140.           “O Mar Morto numa cratera vulcânica”, 12 de Janeiro de 2018.
141.            “Arte e Iconografia”, 18 de Janeiro de 2018.
142.           “Os “Populares” europeus e o seu oportunismo abjecto para com Centeno
               Portugal”, 31 de janeiro de 2018.
143.           “Sem querer ser moralista...redes sociais”, 31 de Janeiro de 2018.
144.           “O Bom e o Mau Juiz, fresco do Tribunal Medieval de Monsaraz”,  4 de
               Fevereiro de 2018.
145.           “Natureza morta e ‘trompe l’oeil’ na História da Arte”, 8 de Fevereiro de 2018.
146.           “Os eucaliptos estão de novo a crescer nos campos ardidos”, 13 de Fevereiro
               de 2018.
147.           “Do Carpe Diem à Vanitas”, 15 de Fevereiro de 2018.
148.           “Giordano Bruno no aniversário do seu martírio”, 17 de Fevereiro de 2018.
149.           “As capelas de ossos em Portugal e a arte do macabro”, 22 de Fevereiro de
               2018.
150.           “A sugestão de Trump para armar os professores”, 23 de Fevereiro de 2018.
151.           “Instalação ‘Presos Políticos’ censurada na ARCOMADRID 2018”, 26 de
               Fevereiro de 201.
152.           “Arte e Perspectiva”, 1 de Março de 2018.
154.           “Lutaremos nas Praias...”, 8 de Março de 2018.
155.           “Homenagem à Mulher no Dia da Mulher”, 8 de Março de 2018.


quinta-feira, 8 de março de 2018


HOMENAGEM À MULHER NO DIA DA MULHER 
8-3-2018
Carlos Rodarte Veloso



A mulher ganhou liberdades, mas perdeu, felizmente, o direito à indiferença pelo estado do mundo. 
Falta agora que os homens - e muitas mulheres também - abandonem a sua indiferença em relação ao estado das mulheres!

LUTAREMOS NAS PRAIAS...
"DUNKIRK" e "DARKEST HOUR"

Carlos Rodarte Veloso


“O Templário”, 8 de Março de 2018

  


Dois filmes magníficos produzidos e realizados em 2017, abordam o tema da invasão da França pelas tropas nazis em 1940 e o cerco das tropas britânicas aí estacionadas, 220.000 homens encurraladas em Dunquerque e assim impossibilitadas de atravessar o Canal da Mancha e regressar à Inglaterra, deste modo desguarnecida do seu exército na hora mais crítica da sua história.
No momento do desespero total, Winston Churchil, recém nomeado Primeiro Ministro do Reino Unido, vê-se perante o dilema de escolher um de dois caminhos: a capitulação face à onda avassaladora das forças armadas alemãs, com a obtenção de um difícil acordo com Hitler decerto à custa de condições draconianas e a perda da soberania britânica ou, caminho aparentemente impossível, a resistência nacional a todo o custo. E foi este caminho “impossível” que Churchil escolheu, galvanizando o povo e o Parlamento, em tempo do desânimo generalizado.
"Nós não desistiremos nem fracassaremos. Nós iremos até o fim. Nós lutaremos em França, lutaremos nos mares e oceanos, nós lutaremos com confiança crescente e uma força também crescente à nossa volta. Nós defenderemos a nossa ilha, qualquer que seja o preço. Nós lutaremos nas praias, lutaremos em terra firme, lutaremos nos campos e nas ruas, lutaremos nas montanhas. Nós nunca nos renderemos!"
E apenas defendidas por um escasso número de aviões e navios de guerra, as tropas britânicas foram resgatadas, trazidas para a Inglaterra por um enorme frota de embarcações civis mobilizadas pelo Primeiro Ministro através da Operação “Dynamo”, missão aparentemente suicida dos proprietários e tripulantes civis de rebocadores, arrastões, traineiras, salva-vidas, barcaças e iates de recreio. Não estão contabilizadas as baixas civis desta operação, mas cerca de 190.000 militares foram resgatados, o que permitiu a guarnição dos quartéis e fortificações da Grã-Bretanha e, assim, a resistência da Ilha e o seu contributo vital para a salvação da Europa e do Mundo “à custa de sangue, suor e lágrimas”.
“Dunkirk”, co-produção britânica, norte-americana e francesa, realizada por Christopher Nolan, incide especificamente sobre a situação das tropas cercadas na praia de Dunquerque, França, a escassas milhas das tropas invasoras e na sua salvação in-extremis pela estranha frota civil que heroicamente afronta os esmagadores meios militares alemães. O filme, pela sua extraordinária realização e a força da epopeia que retrata, servido por uma banda sonora excepcional, parecia fadado para os mais altos voos, como o foi a diminuta esquadrilha de Spitfires e os seus pilotos, os mais eficazes agentes do combate à Luftewaffe, futuros heróis da Batalha de Inglaterra.
“A Hora mais Negra” (“Darkest Hour”), produção britânica realizada por Joe Wright, mais intimista, gira à volta da figura de Winston Churchil, da sua dificílima situação política e compreensíveis hesitações perante um Parlamento maioritariamente derrotista, um rei que, apesar da sua pouca simpatia pessoal pelo mesmo Primeiro Ministro acaba por apoiá-lo, e um povo que ele consegue electrizar e mobilizar para a Operação “Dynamo”, a mais perigosa e decerto heróica mobilização civil de todas as guerras.
Ambos candidatos aos Óscares, distribuídos no passado Domingo, tiveram diversa fortuna na crítica internacional, que previa vantagens para “Dunkirk”, já considerado um dos melhores filmes de guerra da história do cinema. Apesar disso as referidas previsões ficaram goradas pelo resultado, tendo “A Hora mais Negra”, beneficiada pela extraordinária interpretação de Gary Oldman na personagem de Winston Churchil, obtido o Óscar para o melhor actor, apesar de lhe ter sido menos favorável a crítica que, nalguns casos chega a acusá-lo de simpatias pelo Brexit!
Pessoalmente, considero ambos os filmes notabilíssimos e completamente disparatada a opinião politizada sobre o segundo, que me parece um brilhantíssimo exercício introspectivo de uma das personagens cimeiras da História do Século XX que, pela sua luta a favor da salvação dos valores europeus e não do seu afastamento em relaação a eles, será antes um bom exemplo de “anti-Brexit” muito antes da criação da União Europeia...
A prestação de Kristin Scott Thomas é também notável mas, estranhamente, não consta de qualquer nomeação, assim como a banda sonora e outros aspectos técnicos, nomeadamente o enquadramento fotográfico, sempre adequado e esteticamente irrepreensível em cada momento do filme.
Dois filmes obrigatórios para os mais exigentes cinéfilos.

sábado, 3 de março de 2018


ARTE E PERSPECTIVA
Carlos Rodarte Veloso

“O Templário”, 1 de Março de 2018

As artes visuais de há muito se notabilizaram pela imitação da natureza, o que conduziu à criação de estilos artísticos como o Realismo e o Naturalismo e, mais tarde, o Impressionismo e outras correntes estéticas que procuravam uma máxima aproximação à realidade através de múltiplos artifícios.
Não é uma novidade recente. Pelo contrário, as suas raízes estão mergulhadas na época do nascimento da arte, a Pré-História, cujos artistas pintavam e gravavam na rocha verdadeiros documentários das suas caçadas ou do que quer que seja relativo à fauna então existente.
Essa procura de realismo levou-os a utilizar autênticas trucagens que só seriam recuperadas já no século XX, na banda desenhada e no cinema de desenhos animados, por exemplo com a multiplicação das patas dos animais em corrida ou representações sobrepostas simulando, por exemplo, movimentos simples da cabeça.
No entanto essa busca de fidelidade ao testemunho visual atingiu o seu máximo com a tentativa de representar a paisagem em termos de profundidade, em que os objectos ou outros elementos mais distantes do observador eram representados numa escala cada vez mais reduzida, perdendo-se na distância. As próprias cores utilizadas procuravam dar a medida dessa distância, simulando as impressões observadas pelo artista.
Esta tentativa de representar num suporte bidimensional plano uma representação tridimensional, vai conduzir à invenção da perspectiva, observada ainda de uma forma rudimentar e empírica, em algumas pinturas mais tardias de vasos gregos áticos e, já com o possível recurso à geometria, nas famosas representações de jardins ou de edifícios nas paredes pintadas de “villae” romanas (fig.1 – fresco do jardim de Prima Porta, Roma).

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Esta novidade revolucionária proporcionava aos seus proprietários o recurso ao “trompe l’oeill”, já referido em texto anterior, que vai converter paredes e tectos em espaços ilimitados, abertos a uma realidade que hoje chamaríamos virtual.
Depois do interregno medieval em que, por decisão ideológica da igreja católica, se perde grande parte das conquistas greco-romanas no domínio do realismo pictórico, o estudo geométrico rigoroso, portanto científico desta aparente transformação da realidade foi levado ao seu apogeu no Renascimento italiano, através da arquitectura de famosos mestres como Brunelleschi e Alberti e de pintores como Donatello, Piero della Francesca e seus seguidores, cujas conquistas atingiriam o seu clímax no Barroco e Rococó, já nos séculos XVII e XVIII. Como base desta verdadeira técnica, encontra-se o estabelecimento de um “ponto de fuga” no qual convergiam todas as “linhas de fuga” (fig.2 – Brunelleschi, Interior da Igreja de S. Lourenço, Florença), (fig.3 – PIero della Francesca, “Flagelação de Cristo”) assim privilegiando o ponto fulcral da obra assim concebida.
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Curiosamente é precisamente a Igreja católica, a partir do Renascimento, que vai proporcionar o ímpeto decisivo a esta autêntica explosão da arte da ilusão, agora com finalidades assumidamente catequéticas e propagandísticas. Acrescentou-se, assim, o factor “maravilhoso” a toda esta encenação, agora servida pela globalização das diversas manifestações artísticas, em ordem à satisfação de todos os sentidos humanos – vista, ouvido, olfacto, gosto e tacto – que transformou igrejas e outros edifícios em autênticos palcos de teatro. Assim, as artes visuais e a música serviam os mais nobres dos sentidos, a vista e o ouvido, os vapores aromáticos do incenso e perfumes, o olfacto, enquanto o gosto e o tacto estavam associados aos manjares sagrados – o Corpo de Cristo, através da hóstia consagrada, e o seu sangue, no vinho da Eucaristia – e à própria textura dos materiais envolventes e, quem sabe, a aproximação, nem sempre virtuosa, nem sequer agradável, de apertadas massas humanas...
Muros de jardins e paredes e tectos de igrejas (fig.4 – Abóbada anelar da Charola do Convento de Cristo, Tomar – motivos manuelinos), palácios, bibliotecas , teatros, salas de ópera, museus e outros edifícios públicos são agora decorados na sua área total ou parcial com composições paisagísticas ou temas simbólicos e/ou miraculosos que rompem todas as dimensões e atingem uma mestria inigualável. Também o suporte dessas obras de arte abrange novos materiais, como o estuque, a talha e o azulejo, profusamente aplicados em Portugal no interior como no exterior de edifícios. É a Arte Total em todo o seu esplendor.

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