sexta-feira, 4 de outubro de 2019


TANCOS? THANKS VERY MUCH!
Carlos Rodarte Veloso
“ O Templário”, 3 de Outubro de 2019

A “nova” direcção do PSD por um homem que, assumindo-se de direita “suave”, parecia possuir inesperadas qualidades de diálogo e uma aparente sinceridade nas suas declarações, revelou-se, afinal, um autêntico bluff, um verdadeiro “biface”.
Utilizo aqui a terminologia arqueológica que se refere aos calhaus afeiçoados pelos nossos antepassados do Paleolítico utilizados como ferramentas e armas, mas que pode perfeitamente adaptar-se aos inúmeros seres de duas faces que pululam na política contemporânea…
O primeiro debate televisivo de Rui Rio com António Costa e os restantes partidos com assento parlamentar – com exclusão do cacetismo provocatório de Cristas, a “pérola” do CDS - prometia um diálogo civilizado, descontando-se como “normais” algumas trocas de galhardetes, aliás pouco originais, entre os circunstantes.
Eis se não quando, mal passados ainda os primeiros dias da campanha, e depois das beatas declarações de transparência e isenção de Rui Rio, aquele que nunca aproveitaria meios ignóbeis para atingir os seus objectivos políticos, ressurge miraculosamente, a duas semanas das Eleições, o “Caso de Tancos”, organizado em tempo “record” por um inesperadamente espevitado Ministério Público, decerto envergonhado pela demora interminável da Operação Marquês, que, entretanto, se mantém encalhada “ad aeternum”…
E não é que o virtuoso homem público que Rui Rio se afirma, sem quaisquer provas e antes de qualquer julgamento – ao contrário do que antes afirmara – salta como uma cobra a picar o adversário, enquanto a não menos virtuosa comunicação social de direita faz o coro com as suspeitíssimas redes sociais, autênticas teias, que aqui como noutros países conspiram para a destruição dos ideais igualitários, especialmente nos países em que ainda vigoram ideais de democracia?
“His master’s voice” – a voz do dono – fala mais alto. Graças a deus, há sempre histórias que aparecem oportunamente para emporcalhar os êxitos que beneficiam as classes desfavorecidas. Isso não é aceitável e lá está a pobre “classe média-alta” a beneficiar de novo da Assunção da Santa Aliança com um Rio afinal bastante cordato ou seja, sempre dentro das margens que lhe foram atribuídas, como agora demonstrou cabalmente…
É bom que o respeitável público se aperceba da gigantesca campanha de manipulação de que está a ser o alvo, nomeadamente quanto aos “perigos” de uma maioria absoluta para o PS, que me parece pouco provável.
A chamada Geringonça é o papão que assombra essa gente esquiva e traiçoeira que dispõe de todos os meios que o dinheiro faculta, e fala de corrupção como se esta lhe fosse estranha!


Não embarque na solução fácil de “dar o ouro ao bandido”!


sexta-feira, 27 de setembro de 2019


ELEIÇÕES E REDES SOCIAIS.
A COLHEITA DO ÓDIO
Carlos Rodarte Veloso
“O Templário”, 26 de Setembro de 2019

A vulgarização das redes sociais e a oportunidade a que estas dão azo de permitir a expressão, não apenas das justas opiniões de qualquer cidadão face a todo e qualquer assunto de cariz público, mas também de colocar as mesmas ao serviço do seu justo – ou injusto – ressentimento pessoal, inscreve-se sem dúvida no direito democrático à liberdade de expressão, embora essa mesma liberdade colida muitas vezes frontalmente com outros direitos, também democráticos, como o da inocência até prova em contrário, o da intimidade e outros, até então garantidos pelo direito à resposta que a imprensa escrita, radiodifundida ou televisiva garantiam.
Essa garantia era relativa, visto o anonimato encobrir muitas vezes a autoria da difamação, o que exigia dos órgãos de comunicação especiais cuidados na identificação e responsabilização dos seus autores, frequentemente movidos pelo desejo de vingança ou pela obtenção de vantagens materiais pela chantagem, a forma de pressão mais vulgar e sujeita ao peso da lei.
Tudo isso se mantém depois da universalização das redes sociais, embora seja actualmente notória a difícil ou impossível identificação dos seus agentes e, assim, a sua responsabilização nos inumeráveis casos de calúnia que entopem a internet, de origem individual ou colectiva, orquestrada crescentemente por poderes externos, políticos, económicos ou ideológicos, os lobbies, geralmente não identificados, muitas vezes aparentando origens totalmente diversas das reais.
Todo este fenómeno, associado ao acesso universal a redes sociais como o Facebook e o Twitter, as mais populares no nosso país, promove cada utente à categoria de OPINANTE em TODAS as matérias tratadas, exigindo dele apenas o conhecimento rudimentar da língua portuguesa…
E não se trata apenas das manifestações mais crassas de ignorância em relação aos temas abordados: cria-se verdadeiras redes de desinformação acerca de temas vitais, como acontece com o desaconselhamento da vacinação assim como o desconhecimento militante de outras grande conquistas e descobertas da Ciência, como o conhecimento da natureza e do universo, da evolução das espécies, da própria natureza humana, dos perigos cruciais que ameaçam a própria sobrevivência de todos os seres vivos – a Humanidade incluída – fomentadas por preconceitos e dogmas religiosos que retomaram fôlego entre as massas fanatizadas, não apenas dos países do chamado Terceiro Mundo, mas crescentemente, nos países ditos desenvolvidos.
Essa ignorância generalizada, associada à deterioração das condições de vida entre as camadas mais pobres da população mundial, sendo o esgotamento dos recursos alimentares a mais evidente, conduz ao triunfo aparente de opiniões em total contracorrente com o progresso científico, cujos gurus acabam por ter um inesperado ascendente até entre as pessoas aparentemente cultas.
O avanço das pseudociências entre essas camadas aparentemente cultas é a prova acabada da trágica separação entre uma população que tem acompanhado a evolução humana a nível mundial, e a restante, infelizmente em número crescente, que se mantém estagnada em conceitos retrógrados e cujos conhecimentos tecnológicos se limitam ao digitar de botões, ligados a máquinas concebidas pela Ciência, a mesma Ciência em que não crêem e que constantemente vilipendiam, como obra diabólica!
E são precisamente essas massas ignorantes – e orgulhosas da sua ignorância! – que assinam, por vezes com nomes fictícios, opiniões escandalosamente irracionais no caso presente das nossas Eleições Legislativas, dando largas ao seu ressentimento e ao ÓDIO que delas se apodera, uma vezes por motivos ideológicos, outras como catarse de todas as frustrações motivadas por um mundo imperfeito mas, apesar disso, dando mostras de alguma evolução.
As eleições são daqui a dias, mas não há dia em que não surjam notícias, controladas pela maioria dos media, apenas destinadas a desacreditar a solução governativa da Esquerda, como forma de recuperar Portugal para os interesses capitalistas. Notícias acompanhadas por revoadas de mensagens de ódio dos saudosistas do miserável “antigamente” de que nos libertámos há 45 anos.
Por obra e graça das redes sociais e da sua capacidade de fraude, essas mensagens são multiplicadas de forma artificial, dando ideia que correspondem a “maiorias” que nunca existiram. É uma luta desigual, entre a verdade e a mentira…
O triunfo de uma ou de outra depende inteiramente de cada um de nós.

terça-feira, 24 de setembro de 2019


GRETA THUNBERG,
UM EXEMPLO DE CORAGEM E COERÊNCIA
Carlos Rodarte Veloso
24-9-2019

Esta jovem está a dar lições de militância às massas indiferentes deste planeta. Onde alguns apenas vêm ódio, eu vejo amor pela Terra e pelas suas criaturas. Onde a acusam de ser manipulada, vejo a sua coragem de, sem quaisquer vantagens materiais, ir contra o sistema miserável que só vê cifrões! Manipulação, sim, mas dos Trump, Bolsonaros, Johnson, emires do petróleo do mundo inteiro! Onde a acusam, vejo apenas o despeito e a cobardia de quem nada faz pela nossa Casa comum, nem nada quer fazer!

sábado, 17 de agosto de 2019



AMAZÓNIA, ÚLTIMA BARRICADA 

DO PLANETA TERRA

Carlos Rodarte Veloso

“O Templário”, 15 de Agosto de 2019

Pode parecer dramático, com o seu quê de teatral, mas a verdade é que esse magnífico pulmão da Terra que é a Amazónia, ferida mortalmente pelo desmatamento selvagem promovido por madeireiros e outros selvagens a soldo do capitalismo – mais uma vez, SELVAGEM – perde de dia para dia a sua capacidade de regeneração do clima, enquanto os povos nativos, esses classificados de “selvagens” (!), limitados às suas reservas, estão agora ameaçados de as perderem devido ao “bom coração” de Bolsonaro que os pretende “defender” de serem considerados espécimes de jardim zoológico! E, entretanto, hipocritamente, vai facilitando a sua expulsão para espaços cada vez mais ínfimos e degradados, e o seu morticínio pelos colonos e madeireiros que se julgam num novo Far West em que vigora a “Lei de Lynch”.
A esperteza saloia deste – mais um – retardado dos que dominam o mundo, consegue assim arranjar um “argumento” para abrir caminho à confiscação da imensa riqueza da maior reserva de biodiversidade do nosso planeta e ao enriquecimento da imensa multidão de oportunistas e ladrões que o seguem e suportam! 
Já Trump, ao recusar o Acordo de Paris, bem como as conclusões da esmagadora maioria dos cientistas que estudam o ambiente, sobre as gravíssimas e irreversíveis alterações climáticas suspensas sobre as nossas cabeças, assume igualmente a responsabilidade de ir cada vez mais além nesta caminhada suicida, mantendo e ampliando a exploração dos hidrocarbonetos noutra região que deveria ser religiosamente preservada, o Alasca.
Entretanto, as águas vão subindo nos oceanos, a temperatura da Terra aumentando para valores humanamente insuportáveis, as povoações e cidades litorais inundadas, as áreas florestais destruídas por incêndios cada vez mais incontroláveis, as espécies animais ameaçadas, muitas delas em risco de extinção, as próprias reservas alimentares da humanidade esgotadas em cada vez menos tempo, a miséria alimentada pelas guerras difundida em movimentos migratórios de massas que se tornam autênticas armadilhas mortíferas, alimentando, por sua vez, novas guerras e novas migrações…
As últimas reservas ambientais do mundo, desde a Amazónia às florestas tropicais da Ásia, constituem a derradeira fronteira face às ameaças à nossa sobrevivência, são uma barricada final entre a humanidade civilizada e os milhões de bárbaros que assaltam as últimas riquezas da Terra.
Outros predadores se juntam a Trump e a Bolsonaro. É fartar, vilanagem!

sábado, 3 de agosto de 2019



SERÁ QUE TODAS AS GREVES SÃO JUSTAS?

Carlos Rodarte Veloso

“O Templário”, 1 de Agosto de 2019

O direito à greve é um direito constitucional indiscutível.
Mas, afinal, qual é a finalidade das greves? É, desde que tiveram início estas interrupções do trabalho para a obtenção de melhores salários ou melhores condições laborais, a última das opções perante a ruptura do diálogo entre o patronato e os trabalhadores. É a “linha vermelha” que, por princípio, só deverá ser atravessada quando as condições de diálogo chegarem a um beco sem saída, esgotadas que estejam as condições do diálogo entre os trabalhadores e a entidade empregadora.
No entanto, os efeitos da greve devem, sempre que possível, afectar apenas os interesses das entidades intervenientes, não prejudicando terceiros, especialmente outros trabalhadores cujos direitos de cidadania fiquem assim prejudicados, de formas por vezes dramáticas.
Isso levou à criação da figura dos serviços mínimos, os quais se aplicam às greves no sector da saúde, da higiene, da segurança e outros vitais. Mesmo que discutíveis, tais greves têm tido lugar, prejudicando principalmente as camadas mais desprotegidas da população.
Mas quando uma greve atinge globalmente a economia e o próprio funcionamento estratégico de todo um país, aproveitando conjunturas especialmente delicadas em termos políticos, como as vésperas de uma eleição, uma época crítica pela existência do perigo de catástrofes naturais ou provocadas, a própria conjuntura da presença no país de uma população flutuante de visitantes estrangeiros, estão reunidas as condições para que o carácter reivindicativo da mesma seja largamente ultrapassado e revele ambições que em muito extravasam os motivos imediatos invocados.
E na verdade, depois de há pouco tempo os trabalhadores de transportes perigosos terem obtido a satisfação de uma série de reivindicações, voltarem agora com um crescendo imparável de novas exigências, num momento complicado da vida nacional, com eleições legislativas à porta, exércitos de turistas “invadindo” Portugal de Norte a Sul e o perigo bem documentado de incêndios florestais, pergunto-me se há alguma consciência por parte destes trabalhadores das consequências possíveis da sua intransigência.
Ou se há mesmo essa consciência… quando nos lembramos de que, uns meses antes do golpe de estado fascista que em 1973 derrubou e assassinou Salvador Allende, no Chile, teve lugar a “noite das mangueiras compridas” em que foi cortado todo o abastecimento de combustíveis aos serviços mais importantes de Santiago e, depois, das cidades de Concón e Concepcion…
Não sendo partidário de teorias da conspiração, não vejo esta acção como um perigo imediato para a independência do nosso País… Mas a falta de combustíveis é matéria muito mais inflamável que a sua existência. Mesmo com serviços mínimos, temos pela frente uma crise no acesso à saúde, no abastecimento dos meios de combate aos incêndios, na mobilidade do turismo, na “simples” vida dos nossos cidadãos, extremamente complicada a todos os níveis.
Assim será fácil às forças políticas da Direita atribuir responsabilidades ao Governo, assim inquinando o diálogo político num momento especialmente crítico do ano.
Que las hay, las hay…

domingo, 21 de julho de 2019


A PROPÓSITO DE UMA FOTOGRAFIA DO INÍCIO DE UMA ENGALANADA TOURADA
Carlos Rodarte Veloso
17 de Julho de 2019

A praça de touros cheira a sangue e a circo romano. O "traje de luces" é mais um elemento da vaidade dos toureiros e embasbaca os basbaques que gritam Olé cada vez que o animal é trespassado por aquelas enfeitadas farpas disfarçadas que são a hipócrita demonstração da má consciência dos seus praticantes. Persistam na vossa maléfica prática e enterrar-vos-eis ainda mais! Os vossos estúpidos "argumentos" a favor das touradas, hão de, num futuro próximo, ser incluídos no anedotário português.
Os touros e cavalos mortos nas lides é que não serão ressuscitados. Mal posso esperar...
A praça de touros cheira a sangue e a circo romano. O "traje de luces" é mais um elemento da vaidade dos toureiros e embasbaca os basbaques que gritam Olé cada vez que o animal é trespassado por aquelas enfeitadas farpas disfarçadas que são a hipócrita demonstração da má consciência dos seus praticantes. Persistam na vossa maléfica prática e enterrar-vos-eis ainda mais! Os vossos estúpidos "argumentos" a favor das touradas, hão de, num futuro próximo, ser incluídos no anedotário português.
Os touros e cavalos mortos nas lides é que não serão ressuscitados. Mal posso esperar...

sábado, 20 de julho de 2019



VOLTAMOS À BOMBA ATÓMICA?

Carlos Rodarte Veloso

"O Templário, 18 de Julho de 2019

A eleição de Donald Trump foi e é motivo de grande preocupação no mundo inteiro, dadas a sua instabilidade e agressividade, para não falar dos inúmeros defeitos que nele transparecem, mormente as suas mentiras obsessivas, o seu racismo, machismo, xenofobia, total ausência de escrúpulos e confrangedora ignorância em todos os capítulos, sendo a defesa do ambiente e as alterações climáticas o mais importante, visto delas depender na própria vida na Terra.
A sua eleição e o apoio de que ainda goza no seu país, reside numa população rural, do interior, tradicionalmente reacionária a todo o progresso e maioritariamente isolacionista. O seu retrato mais expressivo pode ser encontrado no famoso quadro de Grant Wood, “Gótico Americano”, cuja personagem principal, um “redneck”, armado com um agressivo tridente, não por acaso a arma do Demónio, estranha nas mãos de um alegado cristão fundamentalista, assim se equiparando aos fundamentalistas islâmicos…



Empresário alegadamente de sucesso, a sua reconhecida ganância transvasa do seu governo, e acaba por agredir qualquer país que ouse sair da mediania e não lhe renda vassalagem.
De facto, o actual presidente dos EUA, se não fosse o relativo travão exercido pelo Congresso e pela oposição Democrata, já teria provavelmente declarado guerra a um de vários países que ele considera inimigos preferenciais a quem atribui, sem quaisquer provas, a posse de armas de destruição maciça.
Não é o caso da Coreia do Norte, inicialmente considerada especialmente perigosa, dado possuir mísseis balísticos com crescente raio de acção e armados com ogivas nucleares, mas a estranha diplomacia de Washington acabou por “fazer as pazes” com o ditador do país, na mira de este se tornar, no futuro e com o desejado fim da sua ditadura – mas não da de Trump – uma enorme fonte de rendimento.
No entanto, a instabilidade de Trump revela altos e baixos na sua relação com outros países, esses verdadeiramente poderosos a todos os níveis e que agem como competidores dos Estados Unidos, caso, entre outros, da China e da Rússia.
Apesar das suas farroncas, o agressivo ocupante da Casa Branca não se mete com esses gigantes, em parte por cobardia, em parte decerto pelo conselho dos seus cada vez mais reduzidos apoiantes, que têm evitado uma escalada de agressões, por enquanto “apenas” económicas, mas com um horizonte incendiado pelo perigo de uma guerra global.
O seu ódio, hipocritamente disfarçado de boa vontade, faz uma “simpática” excepção em relação à União Europeia, que o seu porta-voz oficioso, caixeiro-viajante da intriga, Steve Bannon, tenta minar de todas as formas, incrementando a criação ou o reforço de partidos populistas de tendência fascista e a sua vitória eleitoral, enfraquecedora dos objectivos primordiais da mesma, ou seja, o incremento em todos os estados membros, da ideologia democrática. O Brexit, por exemplo, nitidamente incrementado pelo mesmo agente, afastou assim da unidade europeia, um dos seus mais poderosos membros. “Dividir para reinar” é mesmo o primeiro dos seus objectivos.
No entanto os seus alvos preferenciais são estados militarmente emergentes ou em crise interna, que, apesar da sua inferioridade relativa dispensam o comércio de armas com os EUA, uma das suas grandes fontes de rendimento, ou têm abundantes reservas do apetitoso petróleo...
É o caso daqueles que estão na mira dos serviços secretos estadunidenses, caso da Venezuela, país cuja situação de pobreza extrema e crise interna aguda, tem as maiores reservas petrolíferas do mundo, e do Irão, país igualmente petrolífero, cujo acordo assinado com os múltiplos aliados dos EUA para a paragem do seu programa nuclear, foi cancelado unilateralmente por Donald Trump e já levou à expectável resposta do estado visado, o retomar o referido programa agora com a construção da bomba atómica, quando não havia qualquer prova de deter “armas de destruição maciça como Trump afirma.
Repete assim Trump as falsas declarações que, antes dele, conduziram à guerra do Iraque, e cujas consequências mais gravosas levaram ao incremento do terrorismo global que hoje assola vastas regiões e países, eclodindo também na União Europeia que nitidamente odeia, devido a uma prosperidade, nalguns casos relativa, mas, mesmo assim, um competidor económico poderoso, cuja moeda faz frente ao dólar, e cuja indústria não faz má figura, antes pelo contrário, perante os States.
Também se retirou do acordo de Paris sobre as alterações climáticas, teimando estupidamente na sua não existência, apesar dum crescendo de catástrofes naturais que também atingiram gravemente o seu país.
Este autismo cego soma-se às suas características do empresário ganancioso que era antes da sua controversa eleição, que se mantiveram e exacerbaram ao tornar-se, teoricamente, o homem mais poderoso do mundo. Teoricamente, porque as actuais superpotências já referidas, lhe levam a melhor economicamente e estão bem armadas, fazendo frente às suas tentativas de controlo através das suas repetidas sanções, intercaladas por algum diálogo, imposto pelas circunstâncias.
O grande problema deste “original presidente”, reside em que tenta canalizar a sua agressividade contra os mais fracos da sociedade, os imigrantes da América Latina, os negros seus concidadãos, as mulheres e os seus direitos…
Por outro lado, a sua política externa contribui, de dia para dia, para a escalada nuclear e o retomar de uma Guerra Fria, “fria” por enquanto, mas que recorda a tristemente famosa crise nuclear de Cuba nos anos 60 de século XX.



Nessa altura, os dirigentes dos países em confronto, deram mostras de bom senso, detendo a ameaça atómica. Neste momento, há todas as condições para ser retomado o stress provocado pelo perigo de vida que essa ameaça constitui para uma série de populações, os estadunidenses incluídos, e todo o planeta, que pode conduzir à guerra global, dado que Trump não possui qualquer réstia de bom senso.
Penso que a única esperança do mundo para erradicar esses perigos, reside na destituição deste ditador de meia tijela, perfeitamente capaz de, numa crise de ansiedade ou numa simples birra, carregar no famoso botão vermelho.
E, depois dele, o Dilúvio!

quarta-feira, 10 de julho de 2019



Em resposta aos aficionados das touradas, que argumentam que o seu fim levaria à extinção dos touros
Carlos Rodarte Veloso

Isso é treta. Deixem-nos pastar em espaços abertos, tipo reservas que poderão ser visitadas, com as de África, dando rendimento através de safaris fotográficos ou outras formas comuns às grandes reservas selvagens. Os próprios proprietários dos touros poderão explorar essas reservas, sob condições que respeitem a ou as espécies animais aí existentes. Os elefantes, os búfalos, etc. só se extinguirão por acção do homem. Não é preciso porem-nos a lutar, para os conservar. É tudo uma questão de vontade política!

quinta-feira, 4 de julho de 2019


TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO
Carlos Rodarte Veloso
“O Templário”, 4 de Julho de 2019

Tenho a sensação de que, nos últimos tempos, vivemos numa espécie de círculo vicioso, esquecendo sistematicamente o que aprendemos ao longo dos séculos, através da principal arma de que dispomos, a inteligência. 
O conhecimento do mundo, adquirido através de uma longa prática de observação, experimentação e, tantas vezes, sofrimento inacreditável devido à dificuldade de ultrapassar preconceitos defendidos pela violência do poder instituído, avançou contra todas as possibilidades, dando origem ao pensamento organizado, à filosofia e, finalmente, à ciência, proporcionando uma explicação cada vez mais eficaz para tudo o que nos cerca. 
Os farrapos da realidade ainda por explicar, abrangidos pelo campo das crenças, da religião, sustentados apenas pelo irracional, cavalgam contra o racionalismo, servindo-se de velhíssimos e bolorentos argumentos e preconceitos para contrariar as conquistas humanas, chegando a pôr em causa as espantosas realizações da Ciência e da Tecnologia, enquanto se serve delas inconscientemente no dia-a-dia carregando em botões ou deslizando os dedos em dispositivos tácteis, impossíveis de conceber sem o contributo dessas mesmas Ciência e Tecnologia.
É o que acontece com a Astronomia, confundida por muitos com a astrologia, com direito de antena nos meios de comunicação, escritos ou teledifundidos, determinando o destino da humanidade pela posição dos astros na data do nascimento de cada mortal. 
“É uma simples brincadeira”, defendem os seus editores nos media “respeitáveis”, assim se protegendo da óbvia acusação de fomentarem a superstição.
“É um caso muito sério”, defende quem vive desta fraude e “explica” os efeitos das posições astronómicas a um público que continua a subsistir, mas, principalmente, a pagar, principalmente a pagar essas previsões dos horóscopos…
E isto não é nada. Quando se alimenta o retorno ao pensamento pré-científico, defendendo o mito da “terra plana” e outras aberrações similares, os mitos da criação das diversas religiões, a magia, o espiritismo, as pseudociências, da acupunctura ao reiki, a negação do valor da vacinação, os interditos contra toda a medicina científica, estamos a dar passos gigantescos para uma idade das trevas.
São essas tendências anacrónicas, que procuram justificação nas tradições medievais europeias, mas principalmente, nos “saberes” orientais que procuram a equiparação às Ciências e, pior, têm-no conseguido em estabelecimentos universitários portugueses, exactamente numa época em que a investigação nacional produz cientistas de projecção internacional e feitos notáveis especialmente no domínio da Medicina, da Biologia, da Astrofísica, da Genética, da Robótica, ombreando com o que de melhor existe em todo o mundo civilizado!
É essa massa de gente que, atrevidamente, apesar de profundamente ignorante sobre tudo o que a rodeia, analfabeta não apenas em termos semânticos, mas também quanto à ciência das coisas, que nega as realizações do último século, nomeadamente as viagens à Lua e a exploração espacial, tudo remetendo para sinistras teorias da conspiração, da autoria dessas estranhas criaturas que são chamadas “cientistas”.
Curiosamente, a verdadeira conspiração que concorre para as terríveis alterações verificadas no ambiente, as quais arriscam o próprio o futuro da espécie humana, de todos os seres vivos e do próprio planeta, essa é deixada de lado, por demasiado incómoda. 
E, no entanto, os conspiradores estão bem à vista, nas suas luxuosas vivendas ou condomínios de luxo, deslocando-se em automóveis topo de gama, iates ou aviões, retratados diariamente nos mesmos media em que os comuns mortais apreciam invejosamente o seu estilo de vida. Trata-se do capitalismo sem freio, o desenvolvimento levado à execração do modo de produção nascido das viagens de descobrimento do mundo, da produção em massa, da globalização…
Enquanto os progressos científicos e tecnológicos permitirem um estilo de vida tão comodista quanto possível – mas apenas para as camadas da população relativamente privilegiadas em relação à esmagadora massa populacional do terceiro mundo – enquanto comandos electrónicos permitirem manter os traseiros enterrados em cómodos sofás e rápidas viaturas – de gama mais baixa – nos levarem onde desejamos, enquanto os telemóveis de última geração – última mesmo! – nos permitirem publicitar as nossas pobres vidas e devassar as alheias, mesmo à custa de um aumento desenfreado da poluição e do consumo de energias não renováveis… poderemos continuar a enterrar as cabeças na areia do tempo e ignorar aquilo que se aproxima a passos largos e já com data marcada, se a comunidade internacional não tomar as medidas há muito preconizadas: o fim do regabofe, da água e da comida, mesmo pouca, além de, e por causa da extinção em cadeia das espécies vegetais e animais, da camada gasosa, do ar que respiramos! 
Portanto, é pueril negar as provas das alterações climáticas provocadas pela humanidade. Elas estão aí, cada vez mais visíveis e dramáticas, por muito que negadas até à exaustão por gente insana como o retardado presidente dos Estados Unidos. 
É possível que a vida continuasse a ser possível para a casta dos poderosos que poderiam sobreviver em bunkers climatizados ou, até noutros planetas, mas aos sobreviventes marginais restaria a simpática perspectiva de os servir como escravos!
E tudo voltaria ao princípio, mas sem Big Bang…