quinta-feira, 7 de julho de 2016


A última oportunidade da Europa
Publicado n’O Templário de 7 de Julho de 2016

Os últimos acontecimentos na Europa apontam para uma crise profunda, cujas “receitas” ditadas por Bruxelas e, acima de tudo, pelo poderoso padrinho germânico, se mantém iguais a si mesmas, apesar da sua evidente falência em termos de eficácia e também de popularidade.
A saída do – ainda – Reino Unido, ao evidente arrepio das vantagens mútuas da sua permanência na União Europeia, ameaça destapar a caixa de Pandora ansiosamente esperada pelos inimigos da Democracia, perfilados como abutres na expectativa da suculenta carniça do cadáver adiado duma Europa ao serviço dos mercados financeiros e completamente alheada da necessidades dos seus próprios cidadãos.
O Brexit tem os seus seguidores, os partidos e movimentos ultranacionalistas e pró-fascistas da França, Áustria, Hungria, Holanda, Finlândia, Itália e de tantos outros países.
No entanto, é no próprio Reino Unido que surge a contracorrente desses desígnios, consubstanciada num possível referendo na Escócia, destinado a manter a adesão à União Europeia, separadamente do resto do território da Grã-Bretanha.
O efeito de dominó, tantas vezes invocado antes do referendo britânico, dependerá em grande parte do êxito do Brexit em termos económicos e financeiros, o que abriria o caminho à fragmentação da União Europeia, movimento movido não apenas pelos efeitos económicos referidos, mas pela oportunidade não declarada do encerramento de fronteiras e a expulsão maciça de emigrantes. O recrudescimento em flecha das atitudes xenófobas na Grã-Bretanha pós-referendo não deixam margens para dúvidas sobre essa tendência.
Entretanto e apesar das ameaças que pesam sobre essa União Europeia tão sacrificada, os seus líderes mais significativos ameaçam Portugal e a Espanha com sanções que dificilmente viabilizarão um futuro equilibrado para estes países!
Será este um convite implícito a referendos em que os países ameaçados resolvam sair também, com os efeitos devastadores tantas vezes anunciados?
Quererá a Alemanha, perante uma Europa de joelhos, criar uma “nova” União Europeia formada apenas pelos países mais “estáveis”, leia-se, submissos, ao seu diktat? Será por isso que Maria Luís Albuquerque e Passos Coelho se gabam de que, com o seu governo, Bruxelas deixaria de ameaçar o nosso país e faria vista grossa a uns míseros 0,2 %? Eles lá sabem, mas isso é um indício grave de autêntica traição nacional.
E no entanto, estamos perante o que será decerto a última oportunidade da Europa ressurgir do egoísmo, da ganância e da estupidez e reconstruir o projecto com o qual os pais fundadores da União Europeia sonhavam: uma comunidade assente na solidariedade e nos princípios democráticos agora tão esquecidos. Uma comunidade em que todos os países membros teriam os mesmos direitos, e em que nunca mais seria invocado o direito do mais forte...
Mas as coisas não são assim, e as ameaças superam em muito as promessas. E chegará decerto o momento em que os cidadãos deste nosso país e dos outros igualmente classificados como “lixo”, terão que tomar decisões graves e porventura perigosas.

Gostaria de ver o patriotismo português, tão evidenciado na adesão à selecção nacional de futebol, a apoiar o nosso Governo nas medidas que se torne indispensável adoptar face à agressão estrangeira declarada nas palavras de Schäuble e de outros senhores da Europa. Medidas que podem exigir novos sacrifícios, mas a nosso favor!

 

Talvez seja então possível o Resgate, não propriamente das finanças públicas, mas das humilhações e da soberania que nos tem sido usurpada. Não apenas pelos tiranetes de Bruxelas e da Alemanha, mas pelos seus cúmplices alaranjados e “populares”, tão queridos dos media...

 

Carlos Rodarte Veloso

crodarte veloso@gmail.com



 

quinta-feira, 23 de junho de 2016


Remake hardcore de Os Pássaros de Hitchcock
(Publicado em O Templário de 23 Junho 2016

As legiões de “amarelinhos” que vêm invadindo o espaço público, embora em número bem menor do que eles próprios propalam, são as tristes tropas de choque dos bem alimentados da vida que, ao verem fugir-lhes a mama dos “contratos de associação” a que o Estado os habituara, mormente aquando do consulado Passos Coelho/Portas, entram em completa histeria, bem alimentada por uma imprensa que já de todo esqueceu a sua função informativa e formativa.
A confusão de base é converter os tais contratos, que são temporários e condicionais, em vitalícios e obrigatórios, mesmo em zonas em que a oferta pública de Ensino é suficiente ou, no caso dos principais promotores dos protestos, mais do que suficiente.
Esta massa de coloridos canários, com a sua coreografia pimba e a alegre arrogância de quem se julga com todos os direitos, por estar habituado a tudo possuir, não se coibiram de ir afrontar um congresso partidário com as suas provocações e tentativa de boicote, afrontando assim as mais elementares regras democráticas.
Penso que seriam os promotores destas manifestações os primeiros a insultar da pior maneira quaisquer cidadãos que se propusessem boicotar desta forma grosseira um congresso de diferente cor política...
Mas o que é ainda mais difícil de tolerar é ver adultos bem instalados a pastorear desta forma agressiva as suas crias malcriadas, fruto decerto da requintada “educação” ministrada, não só em casa, mas também nessas luminárias do nosso ensino que são os colégios privados mais elitistas.
Triste também ver sacerdotes e até altos dignitários da Igreja católica a fazer o frete aos interesses dos ricos, um tanto ao arrepio dos princípios fundadores dessa mesma igreja e das bem conhecidas posições do seu dirigente máximo, o papa Francisco...
No fundo, trata-se apenas de dinheiro: tirar aos pobres e dar aos ricos... Tão simples, não é?





domingo, 20 de dezembro de 2015


Um mundo para salvar
Publicado n’O Templário de 17 de Dezembro de 2015


As actuais perspectivas mundiais são as mais sombrias deste precocemente envelhecido século XXI. Tanto no que toca ao panorama europeu, quanto ao mundial.
Aquilo que poderíamos chamar, anedoticamente, o “lado negro da força”, está tão bem representado como nunca esteve: Donald Trump, Marine Le Pen, Vladimir Putin, para não mencionar os também fanáticos dirigentes do Daesh e uma série de ditadores mais ou menos assumidos que se movem em zonas pouco claras, são a prova de que nunca como agora os aparentes inimigos se aproximam, se não nos programas de acção, mas claramente nos resultados das suas particulares políticas.
Tudo isto no meio de ameaças ambientais tão drásticas, que poderão pôr em perigo iminente países e povos inteiros, enquanto as multinacionais assobiam para o lado e os “mercados” se agitam histericamente.
As contradições acumulam-se enquanto se esboça improváveis alianças, mais fundadas no ódio do que na simpatia, em que se incuba a Guerra há muito temida e periodicamente anunciada, a Terceira na ordem mundial.
No entanto, nunca como hoje assistimos a tanta vontade colectiva para quebrar esse fadário que empurra o nosso planeta para o abismo da destruição. A Cimeira do Clima em Paris, mesmo não tendo atingido todos os objectivos propostos, pode ser a nossa última oportunidade de sobreviver a uma parte importante das ameaças globais que enfrentamos. Mas não a todas.
Também a guerra destrói o ambiente, muito especialmente quando os meios em presença representam o poder de destruição a que temos assistido, para mais tendo como alvo preferencial instalações petrolíferas cuja combustão, por si só, representa um perigo vassalador para regiões inteiras. Isto para não falar em equipamentos nucleares, químicos e tantos outros, que proliferam por esse mundo fora.
Se a tudo isto juntarmos o Medo, o capital tão eficazmente explorado pelos candidatos a ditadores que, um a um, vão surgindo no horizonte próximo, será difícil que os Cidadãos livres deste Ocidente que se reclama da Liberdade consigam evitar uma torrente avassaladora de regimes pró-fascistas.
Marine Le Pen foi detida, pelo menos de momento. A unidade democrática e republicana prevaleceu, contra todas as expectativas. É de bom augúrio, mas não cantemos vitória.
O ovo da serpente prolifera, e de que maneira|


Carlos Rodarte Veloso

domingo, 22 de novembro de 2015


Terror absoluto
Publicado n’O Templário de 19 de Novembro de 2015

Os atentados da sexta-feira 13 em Paris não são originais, nem nos métodos nem nas suas consequências, mas fazem parte de uma escalada do terror que, momento a momento, cresce e parece sugar a própria natureza humana para um buraco negro, irreversível.
O que o sinistro “estado islâmico” está a conseguir é introduzir no seu jogo perverso uma dimensão que tende a igualar carrascos e vítimas, ao transportar para o inconsciente colectivo do Ocidente os medos e os preconceitos que motivam desejos de vingança, não contra os culpados, que são os prosélitos do mesmo “estado islâmico”, mas contra bodes expiatórios encontrados mesmo à mão de semear entre os refugiados que ele próprio criou e aqui procuram abrigo.
É muito fácil a sociedades democráticas educadas nos princípios de liberdade, igualdade e solidariedade, habituadas ao primado da Razão e do Estado de Direito, perderem o rumo, fragilizadas pela violência bestial e sem-razão de atentados destre calibre.
A sua vulnerabilidade e a dificuldade que a própria ideia de Democracia implica no que toca aos direitos humanos e às garantias civis, impede-as de usar a “pena de Talião”, o famoso “olho por olho” que dominava as sociedades do Mundo Antigo e é agora recuperada por estes bárbaros do nosso tempo.
Por isso, é fácil manipular as pessoas comuns para descarregarem sobre o elo mais fraco, os refugiados que lhes batem à porta em busca da simples sobrevivência, os maiores medos do mundo, isto é, o medo da morte, da miséria, da mudança.
Não é decerto por acaso que um dos terroristas que se fez explodir no centro de Paris, levando consigo as vidas de numerosos inocentes, tinha junto de si o passaporte, em estado impecável – acentuo: em estado novo, impecável – de um refugido da Síria desembarcado na ilha grega de Lesbos. Um documento impecável num corpo desfeito, despedaçado por uma bomba!
Não é preciso sermos excessivamente desconfiados para denunciar de imediato uma tal “prova” plantada num local de tragédia. Os terroristas são hábeis em tais disfarces, mas também o são muitas autoridades, porventura infiltradas por elementos que procuram manipular a opinião pública a favor de “soluções finais”. Todos sabemos do que estou a falar.
A França vai a eleições daqui a pouco tempo e a Frente Nacional vai mobilizar as vontades contra os refugiados, bem dentro da sua ideologia fascista que vai fazendo escola na Europa, num paralelismo arrepiante com as vésperas da 2ª Guerra Mundial.
Aprendemos – aprendíamos! – História para conhecer os nossos antecedentes, o nosso património, as nossas virtudes, mas também para evitar os erros do passado. Estaremos a consegui-lo, ou tudo não passa de uma gigantesca e trágica repetição dos maiores terrores?
As sociedades democráticas têm todo o direito à legítima defesa e esse direito não pode ser relegado para o momento e que a situação de um país, de um povo, de um continente, do mundo, entra na sua fase irreversível. O Presidente da República Francesa declarou guerra à guerra que lhe, que nos movem. Neste momento, todos somos Franceses.

Carlos Rodarte Veloso

domingo, 1 de novembro de 2015


Se isto é um Presidente
Publicado n’O Templário de 29 de Outubro de 2015


O ainda Presidente da República manifestou mais uma vez a sua desonestidade política e a sua irresponsabilidade ao abandonar assumidamente uma postura de isenção em que, aliás, nunca foi muito convincente. Tem agora a pesada responsabilidade de promover selvaticamente a tal instabilidade que assacava à Esquerda, ao segregá-la para uma espécie de limbo, não lhe reconhecendo sequer a maioridade cívica que ela assumiu por  inteiro quando, em 1974, contribuiu decisivamente para a queda do Estado Novo.
O pior é que as acções inconsideradas que começou a tomar podem conduzir Portugal a um perigoso “pântano” político que poderá relançar a crise que os seus apoiantes se gabam de ter debelado, o que bem sabemos tratar-se de pura ficção.
 Talvez fosse bom fazê-lo compreender que o actual sistema político, que ele diz servir, a Democracia, não foi implantado pelos poderosos deste país, mas pela convergência de todas as forças progressistas, dentro e fora das Forças Armadas, que ansiavam por uma aurora de Liberdade para Portugal.
Mas não: Desde que cumpra a sua "parte", isto é, que agrade aos seus cúmplices - nacionais e estrangeiros - nem se importa de atiçar os sagrados mercados contra o seu próprio país! Ainda não percebeu - e nunca perceberá... - que os interesses da pandilha que chefiou em tempos, e agora o chefia a ele, colidem frontalmente com a missão que jurou cumprir, a de servir Portugal e os Portugueses. Esses Portugueses que num passado hoje cada vez mais remoto, o elegeram, convencidos de estarem perante uma pessoa de bem, mas que agora insulta, quando o seu voto maioritário aponta para soluções fora daquilo que insiste teimosamente em considerar o “arco da governação”.
Já tantos o disseram, mas nunca é demais repetí-lo: não há portugueses de “primeira” e portugueses de “segunda”! Todos os votos têm exactamente o mesmo valor, desde que não digam respeito a cidadãos falecidos, e bem sabemos como num passado de há mais de 40 anos esse “milagre” se concretizava em “maiorias absolutas” apoiadas em “manifestações expontâneas”, assalto a instituições do “Reviralho” e outras festividades afins.
Mas Cavaco e Silva não quer perceber. Diz o povo que “burro velho não aprende línguas” mas longe de mim fazer comparações desagradáveis para com este triste símbolo da velha nação portuguesa!
 É pena não dispormos, tanto quanto sei, da figura do "impeachment" na nossa Constituição. Penso que se aplicava como uma luva ao comportamento anti-democrático agora manifestado e à arrogância insuportável que se tornou a imagem de marca de um Presidente que nem sequer assume ou respeita minimamente a República que diz representar.
Na verdade, desde o corta-fitas Américo Tomás que não tinha tanta vergonha de um Presidente de Portugal. E esse era assumida e oficialmente fascista...


Carlos Rodarte Veloso

quinta-feira, 15 de outubro de 2015


Humildade
Publicado n’O Templário de 15 de Outubro de 2015

A simples hipótese de uma aliança do PS com a restante Esquerda tem levado os “vencedores” do PàF a um tão estranho como inesperado exercício de humildade perante os “vencidos”. E é mesmo “humildade” uma das palavras mais recorrentes da coligação de direita no rescaldo destas legislativas!
De facto, a verdade indesmentível é que mais de metade dos eleitores se manifestaram por uma alternativa que não abrange as forças que têm desgovernado o país desde 2011.
Esgrimem elas, agora, argumentos “constitucionais”, invocando em vão as expectativas dos Portugueses, que achariam aberrante que não governasse quem “ganhou”...  Elas, que sempre se borrifaram para a Constituição do República quando isso convinha aos seus desígnios, nada patrióticos, de espremer até ao tutano o bom povo que as tinha elegido, ao mesmo tempo que alienavam boa parte do património nacional, sempre sob a batuta estrangeira!
Na verdade, e insisto nisso, há uma maioria de Esquerda na Assembleia da República agora eleita. Se os deputados do povo se entenderem nesse sentido, a Democracia não sairá minimamente beliscada e a Constituição permanecerá o garante das liberdades cívicas. Como deve ser!
Contudo, esta atitude de humildade não é nem deve ser exclusiva dos verdadeiros vencidos destas eleições, o PàF. Também a Esquerda, com poucas excepções, está a dar mostras de uma notável abertura às ideias dos seus parceiros mais próximos, tanto mais inesperadamente quanto é verdade que a sua atitude durante o período eleitoral se pautou por ataques desenfreados entre si, especialmente contra o PS.
Agora tudo está em aberto. A humildade está na ordem do dia. Para a Direita, porque a sua “vitória” acaba por retundar numa amarga derrota e tem ainda esperança de limitar os estragos.
Para a Esquerda, porque tem agora a oportunidade histórica de salvar o país, fazendo as necessárias cedências para a criação de uma verdadeira maioria, estável e constitucional.
E não venham os “velhos do Restelo” do nosso tempo recordar o PREC, ou outras manifestações mais extremas do período revolucionário. Não venham de novo aterrorizar o povo com a imagem de desordem e de anarquia que habitualmente associam a governos de Esquerda. Já chega de mentiras!
Os  próximos dias vão ser cruciais para o nosso futuro colectivo. Assim se cumpra o desejo do Presidente da República, do consenso de uma maioria capaz de governar o país... Não o “consenso” que ele tanto se tem esforçado por alcançar, mas aquele em que os verdadeiros representantes dos interesses populares, humilde mas firmemente, juntem forças, saibam distinguir entre o essencial e o acessório e resgatem as promessas de Abril.


Carlos Rodarte Veloso

quinta-feira, 8 de outubro de 2015


O que faremos com estes votos?
Publicado n’O Templário, 8 de Outubro de 2015

A “vitória” do PàF nas eleições legislativas do domingo passado, poderá – ou não – ser considerada uma “vitória de Pirro”, e isso depende única e exclusivamente do comportamento das diversas forças da Esquerda que, no conjunto, arrecadaram a maior soma de votos e, consequentemente, de deputados.
Esse facto, inquestionável em termos numéricos, numa Assembleia da República que vê agora terminado o longo diktat do PSD e do seu irrevogável apêndice, o PP, é menos evidente do ponto de vista da eficácia.
A prova disso é a esperada posse de um executivo que, com mínimas diferenças, será exactamente o mesmo que sai agora minoritário destas eleições.
O facto historicamente comprovado da enorme dificuldade que as forças de Esquerda manifestam para se entenderem numa estratégia comum contra a Direita, tão evidente agora como o foi em tantos momentos trágicos do passado mais ou menos recente da Europa, conspira activamente contra a tão necessária defesa dos interesses do nosso massacrado povo.
Um artigo de Rui Tavares, líder do Livre/Tempo de Avançar, publicado no Público de 5 de Outubro, põe o dedo na ferida. Não por acaso, intitula-o “A maldição do arco da governação”.
De facto, a caracterização de alguns partidos como aceitáveis – não necessariamente pelo povo português, mas por instâncias externas! – para governar Portugal, tornou-se uma autêntica armadilha para a própria soberania nacional. Se só se podendo escolher entre um número limitado de forças políticas, ostracizando todas as outras, está-se a prestar um péssimo serviço à Democracia. Esse é o nosso regime, lembram-se?
É claro que o PSD, embora com o já histórico abuso da sua denominação, pois é tudo menos social-democrático, e o Partido Socialista, dentro já do espectro da Esquerda tradicional, congregam uma parte importante das tendências políticas em Portugal.
Ambos são fundamentais à representação das tendências políticas nacionais, mas verifica-se, com cada vez mais evidência, que outros partidos mantém um elevado nível de adesão popular, representando uma muito significativa percentagem da população, o que foi especialmente evidente no passado domingo, em que Bloco de Esquerda e PCP obtiveram uma notável  expressão eleitoral.
Por isso e cada vez mais, é tempo de olhar para a unidade da Esquerda como um imperativo de consciência e a última oportunidade de criar uma frente capaz de salvar Portugal dos seus espoliadores e de lhe permitir recuperar a soberania e a dignidade que como país quase milenar amplamente merece.
Responsabilidades acrescidas para o Partido Socialista, que apesar do insucesso relativos dos seus resultados, mesmo assim dos melhores que até hoje obteve, sofre agora a erosão tão tradicional nas equipas de futebol, de ver o seu “treinador” atacado por outros candidatos ao cargo, mais preocupados com o seu “ego” transbordante, do que com o bem comum, do Partido e do País.
Deviam esses senhores pôr a mão na consciência e pensar no quanto os seus cálculos eleitoralistas, caciquismo quanto baste e a própria contradição ideológica em que frequentemente incorreram, não teria contribuido para diminuir as possibilidades de uma vitória esmagadora sobre a Direita.
E deviam também lembrar-se de que a Política, com maiúscula, não é um jogo de futebol, por muito empolgante que ele seja: é a própria vida das Pessoas!
Mas, mesmo assim, foi uma vitória. E tão boa, que é tempo de assumir que quaisquer abébias concedidas ao este “novo” governo representam uma crueldade indesculpável para com o nosso povo. É altura de olhar para a Esquerda como o parceiro privilegiado para a mudança, para a tão falada “refundação” de Portugal... e da Europa!
O Bloco e o PCP deram já mostras de disponibilidade. É um princípio, um muito bom princípio!
António Costa é  líder do PS e deve continuar a sê-lo, dando assim expressão ao movimento de fundo que lhe deu esse cargo. Tenho a certeza de esse apoio se manterá e reforçará nos próximos tempos. Assim consiga ele manter-se fiel aos ideais que norteiam o Socialismo!


Carlos Rodarte Veloso

quinta-feira, 1 de outubro de 2015


Uns cofres cheios de mentiras
Publicado n’O Templário, 1 de Outubro de 2015

Faltam, no momento em que escrevo, apenas cinco dias para as eleições legislativas e a par das constantes mentiras difundidas por um governo não demasiado confortado pelas inacreditáveis – e suspeitíssimas – sondagens que lhe dão maioria, lá vão aparecendo algumas notícias que desvendam, para além da ponta do icebergue, a podridão sobre a qual foi sendo erigida a ficção de seriedade, honestidade e competência que ele próprio se atribui.
Vem agora a Antena 1 revelar uma singularíssima operação de cosmética encomendada por Maria Luís Albuquerque, quando era ainda secretária de Estado do Tesouro, à empresa pública Parvalorem, para que reduzisse contabilisticamente os prejuízos registados com o crédito mal parado do Banco Português de Negócios.
Esta pequena vigarice, designada como “trabalho cirúrgico”, conseguiu reduzir em cerca de 150 milhões de euros os prejuízos do banco, com a intenção de desagravar o défice de 2012.
Foi esta seriísma senhora, hoje ministra das Finanças, que anunciou a um país de tanga  que os cofres estavam cheios e haveria margem de manobra para enfrentar eventuais dificuldades conjunturais!
É claro que até vésperas das eleições alguma declaração virá do governo, não necessariamente para desmentir esta notícia, mas talvez para a encobrir piedosamente com o nevoeiro de alguma “revelação” de última hora sobre Sócrates, ou o Siriza, ou sobre algum socialista, ou familiar de um socialista, ou qualquer coisa que possa confundir a opinião pública... Nem será preciso prová-la, porque estaremos mesmo em cima das eleições, e não haverá tempo para isso...
Entretanto, alguns maduros acharam por bem recolher antigas declarações de Passos Coelho, quando ainda longe do poder e também nos primeiros anos da sua ascensão miraculosa e compilá-las num pequeno vídeo que, confesso, me deixou boquiaberto apesar da “boa impressão” que este senhor sempre me inspirou. Isso explica a capacidade de se contradizer que é seu apanágio. E sem sequer se rir!
Será um visionamento altamente educativo para todos quantos ainda confiam na pose “de Estado” deste mestre das mentiras. O vídeo tornou-se viral na internet e será fácil aceder às sua imagens e som.
Em verdade vos digo que toda a argumentação destes senhores assenta apenas e unicamente em inspirar o medo da mudança junto de uma população fragilizada pelos actos predatórios que eles próprios cometeram e continuam a cometer.
Bem podem Passos Coelho e o seu apêndice, o “homem irrevogável”, continuar a reescrever uma história cuja verdade cada vez mais entra no domínio da fantasia.
Os Portugueses não são masoquistas e dentro de cinco dias e independentemente de todas as “sondagens”, a verdadeira e definitiva Sondagem, nas urnas da Democracia, terá a palavra final!


Carlos Rodarte Veloso

sábado, 26 de setembro de 2015


O MISTÉRIO DA SONDAGENS

(Publicado n’O Templário de 24-9-2015)


Vivemos num país cujo nível de vida e as expectativas de progresso moral e material se deterioram dia após dia, apesar da propaganda em contrário dos senhores do regime.
Dentro da classe média e do operariado que resta, os cortes em todos os benefícios, dos salários à segurança social, foram tão drásticos, que podemos falar de um retrocesso às últimas décadas do século XX. Entretanto, uma percentagem arrepiante dos jovens e de muitos cidadãos de meia-idade são arrastados para o desemprego e para a emigração. Muitos desses cidadãos jovens possuem graus académicos, muitas vezes especialidades vitais para o desenvolvimento do país, mas são obrigados a ir oferecê-las a países estrangeiros onde vêem reconhecidas as suas aptidões e onde encontram um modo de vida decente, sem dependerem das gerações mais velhas, elas próprias reféns de um governo incompetente e desumano. Os idosos são vilipendiados, chegando a ser chamados “peste grisalha”!
Tudo o que atrás ficou dito é do conhecimento geral e basta falar com quem quer que seja nos locais públicos onde os menos favorecidos têm assento, tais como os hospitais, centros de saúde, estabelecimentos de ensino públicos, no simples comércio, nos empregos, nos transportes públicos, e as opiniões maioritárias revelam a mais profunda antipatia e até desprezo por essas personagens cinzentas que a bordo de mercedes ou audis e do alto dos seus gabinetes climatizados, governam governando-se.
E, no entanto, as sondagens dão um autêntico empate entre as intenções de voto a favor desses engravatados arrogantes e desumanos e aqueles que querem corrigir, por vezes drasticamente, os abusos, a miopia, a estupidez até. Mistério profundo!...
Porque, chamemos os bois pelos nomes, é inacreditável, dado o estado do país e a revolta profunda que grassa contra o governo e os seus apoiantes, que as sondagens os beneficiem quando, a crer nos sinais transmitidos diariamente pela sociedade, a todos os níveis, o povo português anseia pelo momento em que “eles” serão corridos dum Poder usurpado às promessas de Abril.
Num momento crucial como o que vivemos, não há lugar para dúvidas: ou se vota pela continuação da desgraça em que vivemos nos últimos anos, na Direita portanto, ou se escolhe a mudança,  ela só possível levando a Esquerda ao poder.
O problema das sondagens é que elas próprias funcionam, menos como meios credíveis de auscultação da vontade popular, mas como agentes de manipulação da opinião pública, assim da perpetuação do regime. É evidente que as instituições que são encarregadas dessas sondagens se inscrevem num jogo que nada tem de isento. Se o próprio Instituto Nacional de Estatística é claramente instrumentalizado para favorecer as teses do governo, e isso tem sido bem evidente desde a aproximação da data das Eleições legislativas!
Em quem confiar então? Decerto não nos instrumentos que o poder tem à sua disposição para manipular o voto. Nem nos instituto de sondagens, nem nas televisões, rádios e  seus comentadores, tão pouco em boa parte da imprensa escrita e, até, em muita internet. Talvez o melhor seja que cada cidadão, prejudicado de múltiplas maneiras por esta “democracia” apenas nominal, que todos aqueles que viram pessoas da sua família, amigos e conhecidos atingidos pela praga do desemprego, da perda de direitos, da  pobreza, olhem para si, para o país que temos e é nosso, e entupam as urnas de voto com o enorme manguito que este governo merece!
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Carlos Rodarte Veloso